Lívia Kriukas/Correio do Dia
Com 100% das lavouras do município de Sinop, prejudicadas pela praga da ferrugem asiática, o município passou a liderar o ranking com o maior número de focos no Estado. A afirmação é do presidente do Sindicato Rural da cidade, Leonildo Bares. “Todos os sojicultores foram prejudicados, uns mais outros menos, mas todas as lavouras tiveram focos da ferrugem. Agora depois desse estrago de passagem, vamos pedir o bloqueio e a limpeza para evitar esse mesmo prejuízo na safra que vem”, explicou.
Segundo Bares, não há um motivo concreto para o município ser o mais afetado pelo foco. Mas ressalta que o clima pode ter influenciado. “Muita chuva no período vegetativo, a ferrugem começou a aparecer na região no dia 15 de dezembro em diante. O fungo anda 10 quilômetros por dia, através da corrente de ar com a umidade e o vento”. E ainda complementou. “Com o clima fechado dia e noite não há como a plantação extrair tudo que ela precisa para produzir com qualidade, se tornando muito fácil para o fungo proliferar na lavoura”.
De acordo com dados do Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (IMEA), a média de sacas a serem colhidas na safra 2011/2012 no Estado caiu de 53.7 para 51 sacas por hectare (ha). Somente na região Norte, foram colhidos 6,4 milhões sacas de soja. “Tivemos uma quebra brusca da produtividade, se não fosse à ferrugem essa quantia seria maior”, frisou.
Já para conseguir recuperar o prejuízo, a saída para os sojicultores é apostar na cultura do milho safrinha. O produtor sinopense, Paulo Lauxen, foi um dos prejudicados pelo inimigo dos agricultores. Com mais de dois mil ha plantados, o sojicultor conseguiu apenas colher 112 mil sacas. “Tive um quebra de 30% a menos que a última safra, onde colhi 165 sacas. Caso não fosse a ferrugem seria essa quantia a ser colhida”, argumentou.
NO ESTADO
De acordo de acordo com os dados do Consórcio Antiferrugem, desenvolvido pela Embrapa e outras instituições, apontaram 88 focos da doença. O estado é o segundo colocado no ranking, atrás de Goiás, onde são 108. Mesmo diante da queda de 5,8% na produtividade de soja, Mato Grosso deve atingir nesta temporada 21,3 milhões de toneladas. O resultado representa 3,9% a mais sobre o último ciclo de 20,5 milhões de toneladas.
Os ganhos em área ocorreram a partir da incorporação de terras de pastagens. Neste ano, o espaço reservado à oleaginosa ficou estimado em 7 milhões de hectares. Um ano antes, 6,4 milhões de hectares.
MERCADO INTERNO
A comercialização da soja no Estado tem se comportado de forma positiva, apresentando melhoras nos preços, aguçando as negociações nas últimas semanas. A média da primeira quinzena de abril registra como o mercado oscilou. Em Sinop, na última semana a média era de R$ 45,66/saca (sc), em comparação com a primeira semana de abril onde a média estava em R$ 45,25/sc. Já hoje os preços melhoraram R$ 48,19/sc. Conforme dados do IMEA, a safra 11/12 já tem mais de 75% comercializada.
VAZIO SANITÁRIO
Antes mesmo de vencer o prazo do vazio sanitário, época onde os produtores são proibidos de plantar soja. Lauxen explica que irá procurar métodos para evitar uma maior proliferação da praga na safra 2012/2013 como a deste ano. “Não vamos esperar chegar o vazio sanitário não. Nós vamos destruir toda a sobra de soja da propriedade para que passe o período do vazio sem nenhum risco do fungo”, salientou o produtor sobre o período dedicado a questões de segurança para evitar a proliferação de doenças, como a ferrugem asiática. “Queremos também que o IMEA reforce a fiscalização no vazio evitar que ocorra isso, pelo menos não nessa quantidade, pois o prejuízo é enorme para nós produtores”, finalizou.
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