Lívia Kriukas/Correio do Dia
Gilmar Flores, muitos não o conhecem por esse nome. Mas quando se fala em Joaninha, a maioria dos brasileiros já sabem de quem se trata. O piloto de motoCross freestyle atualmente hexa campeão brasileiro. Porém para chegar até aqui, o campeão originado de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul, e sinopense de coração, passou por bons bocados. Só que para contar essa história, precisamos voltar um pouquinho no tempo e conversar com o primeiro apoiador do Joaninha.
Mas antes disso, vamos desvendar uma curiosidade. Todos o chamam de Joaninha, mas porque será esse apelido? Pois bem, de acordo com o Kleber Borges do Nascimento, mais conhecido como Besouro, de tanto andar junto ele. “Como estávamos andando muito juntos as pessoas começaram a brincar chamando o piloto de besourinho. Depois de um tempo começaram a falar que besourinho não combinava porque ele era muito pequeno foi quando começaram a chama-lo de Joaninha, e sabe essas coisas pegam rápido, e ficou”, justificou.
Então, voltando para a origem dessa história, em 1997, com apenas 17 anos, Gilmar andava com uma moto Yamara RX 125, que já na época era considera velha e estava fora de linha. Sem nenhuma intenção profissional até então, ele andava por hobby mesmo, brincando com a molecada da mesma idade ainda na pista de kart. Até que um dia, Besouro, viu Joaninha andando de moto e se impressionou. “Eu o vi andando com a motinha em um fim de tarde no meio de adultos. E percebi que andava bem e tinha talento apesar da pouca idade”, relembrou.
Mesmo sem conhecer. A ousadia garoto desconhecido, chamou a atenção de Bizorro, que resolveu “adotar” Flores. “Naquele tempo eu trabalhava com moto, tinha uma oficina ainda na av. dos Tarumas e chamei-o para conversar. Falei para ele que iríamos ajeitar a moto dele para ele competir com os caras, pois ele tinha potencial. A brincadeira começou daí. A moto estava velha e depreciada, acabei arrumando e trocando pneus, suspensão, motor”, contou. “A partir daí virou alvo de retaliação por parte dos outros, pois os rapazes mais velhos não aceitava perder para um guri novo”, complementou.
Bizorro conta, que na primeira competição Joaninha levou um tombo não conseguiu correr, mas só na tomada de tempo mostrou que tinha futuro. O “pai”, do atual campeão ainda comenta de uma ida para Cuiabá, onde juntaram Joaninha e outros rapazes, e ele atingiu o tempo recorde, fazendo com que ninguém consegui-se passar ele, recorda. “Ele foi tomando gosto pela brincadeira e no ano seguinte a mãe, grande pratrocinadora, deu uma moto Yamaha YZ 125, semi-nova. Com isso em 98 e 99 ele participou de umas corridas aprendeu um pouco, pois não tinha experiência, aprendia olhando os outros”.
Já em 2000, Joaninha participou do Campeonato Estadual de MotoCross, e sagrou-se campeão da categoria Junior Master, aonde competiam os novatos juntamente com os veteranos. “Isso mostra o tamanho do talento que ele já demonstrava na época”, frisou.
Mas como no Brasil é “praxe”, muitos não valorizarem inúmeros esportes e atletas. Nem tudo foi tão fácil, de acordo com Besouro. “Começou a apertar financeiramente. O único que dava apoio para ele era eu aqui na oficina. Além da mãe dele que comprava certas peças que precisava. Só que as peças eram caras, nem sempre conseguia comprar. Com isso o Joaninha chegou a ir para Santa Carmem, e correu pelo município 2002 e 2003”.
Com a situação economicamente boa do município, empresários começaram a ajudar o piloto que também recebeu o apoio do moto clube de Santa Carmem. Ainda em 2002 Joaninha garantiu o terceiro lugar no estadual pela categoria graduado, chegando a disputar contra o renomado piloto Carlos Maia que havia vindo de fora para disputar por Sinop. “O Joaninha teve uma escalada muito rápida no MotoCross. Na época um amigo meu construiu uma rampa de madeira para ele treinar e desenvolver o freestyle dele”.
Perto de ganhar mais visibilidade, Joaninha conheceu o piloto Jorge Negretti, no ano de 2003, aonde o renomado piloto veterano do FMX no Brasil, veio se apresentar na feira agropecuária, Exponop, realizada anualmente em Sinop. Negretti, por sua vez resolveu apostar no jovem piloto, levando Joaninha para São Paulo (SP), para participar da Equipe Jorge Negretti. Joaninha aceitou e competiu durante três anos no grupo.
Para Joaninha, contar com o apoio de pessoas como Besouro e Jorge Negretti, no início da carreira, foi essencial para o que ele é hoje. “O Besouro me deu todo o conhecimento nessa parte de mecânica, que é importante para um piloto saber. Ele também sempre me aconselhou, assim como quando comprei minha primeira moto, me guiando sempre para o caminho certo. Já o Jorge Negretti, acreditou em mim, e me levou para São Paulo, no começo de 2004, onde passei três anos na equipe e ganhei títulos como Pró Rider e Jogos Urbanos”, explicou.
Atualmente com 14 anos de FMX, e colecionando seis título de campeão da Copa Brasil de MotoCross Freestyle, Joaninha avalia sua carreira. “Acredito ter conseguido um resultado muito bom durante todo esse tempo. Não esperava chegar tão longe. Fico muito feliz. Isso tudo me fez melhorar como pessoa. Hoje eu continuo meu trabalho, principalmente com o foco na parte social, podendo orientar adultos e crianças, assim como faço na campanha do Detran, com as palestras”.
Para Joaninha este homem que deu origem ao “Joaninha” é mais que um simples apoio. “O sentimento de gratidão será para sempre, Besouro sempre foi e continuara sendo um grande amigo. Ele sempre acreditou em mim”, diz Flores. Besouro complementa que o sentimento é recíproco. “A amizade aqui vai até o fim da vida, ele é como um integrante da minha família”.
EQUIPE JOANINHA
Adquirindo experiência, maturidade, e bagagem no FMX, Joaninha resolveu formar sua própria equipe, em 2006. A equipe chamada Joaninha Freestyle Show, realiza shows por todo o Brasil. Atualmente os pilotos Henrique Balestrin, o Zoio, Jonilson Lima da Silva, Marcos Paris e Roberto Henrique Martins. Segundo o piloto, o objetivo é oportunizar sonhos para aqueles que assim como ele no começo, tem vontade de seguir a carreira. “É importante descobrir novos atletas, dar a oportunidade de praticar o esporte. Apoiar, para que eles possam obter sucesso no futuro com o esporte. Além de criar mais visibilidade para a modalidade”, finalizou.